Sintonia e integração do ser humano com a energia divina da qual foi formado.
As práticas e rituais do Culto Yorùbá têm por finalidade a sintonia e integração do ser humano com a energia divina da qual foi formado.
Há pessoas que dispõem do dom de manifestar fisicamente a presença de seu Òrìṣá. Essa manifestação é apenas uma forma de sintonia, nada tendo a ver com mérito ou elevação espiritual. Em alguns seres humanos, a predisposição inata e rituais específicos fazem aflorar com maior intensidade essa energia pura, que é o Òrìṣá, podendo ocasionar os fenômenos do transe e da incorporação, quando o arquétipo do Òrìṣá se manifesta de forma plena.
São as escolhas que se precisa fazer para conseguir seguir o caminho ao qual está predestinado. Se quer mudar sua condição, precisa fazer o sacrifício. Toda forma de sacrifício lhe impulsiona para frente. Quando você se sacrifica, se edifica com bases melhores, mais sólidas e mais seguras.
Existem vários tipos de sacrifícios dentro do Culto Yorùbá: tempo, canção, orikis, dança, dinheiro, transformação pessoal, mudanças de atitudes, oferecimento de força de vida, e o sacrifício animal.
O sacrifício é uma tentativa de reorganizar as forças do universo de forma que elas possam trabalhar a nosso favor, trazendo paz, harmonia e força para nós e para o ambiente em que vivemos.
Em alguns casos, são usados animais em sacrifício, para essa comunicação. Esse animal é rezado e seu espírito encaminhado com todo respeito, para que ele seja aceito. Os sacrifícios animais praticados no Culto Yorùbá, além de movimentar o Àṣẹ — pois é uma troca energética —, servem para alimentar as pessoas, uma vez que a carne é, na maioria das vezes, consumida.
Ebó é um ritual de sacrifício em forma de oferendas, que inclui elementos determinados pelo oráculo, utilizando energias — Àṣẹ dos diversos reinos da natureza — para obtenção e reversão de alguma situação.
Os ebós servem como forma de apaziguamento para evitar ou amenizar alguma situação dolorosa, substituição diante de perigo e encaminhamento de bom augúrio.
Alimentar o Orí é um ritual que tem a finalidade de restaurar o equilíbrio. Todas as oferendas que alimentam o Orí são determinadas pelo oráculo, tanto na quantidade, quanto na qualidade adequadas para a situação.
O Bori é um rito especial que propicia a positividade do Orí. A sua finalidade é, através de manipulação do Àṣẹ, proporcionar ao Orí — como entidade regente do destino da pessoa — o ponto de equilíbrio ideal para a auto realização.
A iniciação é um processo extremamente complexo e individual. Diversos são os motivos que levam uma pessoa à iniciação. Há pessoas que têm que ser iniciadas; outras o são simplesmente porque assim quiseram, porque amam a religião.
A iniciação é algo muito particular de cada Òrìṣá — por isto cada um tem seus próprios rituais. Corpo físico, mente e alma são ritualisticamente preparados para a manifestação divina.
Iniciar-se significa renascer, nascer para o Òrìṣá, para o mundo espiritual e para uma vida em busca da realização pessoal. Iniciação é o início de um aprendizado e desafios constantes que requer disciplina e dedicação espiritual — um processo em que somos orientados a seguir no caminho do equilíbrio e da plenitude.
"Se iniciar na magia do Òrìṣá é possibilitar, através de rituais próprios, que o lado divino transpareça — é libertar o Deus Interior que existe em cada ser humano, permitindo-lhe vir à tona e provocar o impulso capaz de conduzir a individualidade à realização pessoal."Tradição Yorùbá · Ilé Ègbé Efúnlàşé
Estabelecendo dessa maneira a mais perfeita comunhão possível com o Universo, com a Natureza, com o Criador, enfim, com a própria Vida.