Na tradição Yorùbá, nada se empreende sem prévia consulta ao oráculo — instrumento de transmissão do aconselhamento divino.
Na tradição Yorùbá, nada se empreende sem prévia consulta ao oráculo, que é um instrumento de transmissão do aconselhamento divino para que situações sejam revertidas ou confirmadas.
Os oráculos são baseados no sistema binário e comportam 256 combinações matemáticas que definem os caminhos de Odù, com seus milhares de itan (mitos) e owe (parábolas). Têm a missão de organizar as relações humanas, ajudar na doença e orientar em todo tipo de assunto.
O Òrìṣá Èṣù — o transmissor do Àṣẹ, representante da autoridade divina no âmbito cósmico e das leis da física — sendo o eterno movimento com suas constantes transformações, propicia toda a existência do Universo manifestado. Dessa forma, Èṣù é invocado para atuar e se expressar nos oráculos. Com a anuência de Èṣù, os diversos Òrìṣá se posicionam no oráculo, respondendo e influenciando nas respostas.
Na tradição Yorùbá, o Obi (Cola acuminata) não é apenas um instrumento oracular — é uma entidade espiritual com origem mítica documentada no corpus de Ifá.
O lançamento do Obi não é um jogo de probabilidade. O Obi funciona como um canal direto de comunicação entre o consulente, a divindade consultada e as forças do Òrun. O Àṣẹ contido no Obi, ativado pela invocação (através de oríkì e ìbà), permite que a entidade espiritual manipule a queda dos gomos para comunicar sua resposta.
O Obi não é apenas um instrumento de adivinhação, mas também um veículo de comunicação espiritual, um símbolo de vida, pureza e elemento de oferenda aos Òrìṣá. O Oráculo de Obi é considerado simples, mas profundo em significado — é um instrumento de orientação espiritual utilizado tradicionalmente para confirmação de rituais e verificação de aceitação de oferendas.
Na Nigéria, o jogo de búzios recebe o nome de Merindilogún — "o jogo dos dezesseis". No jogo de búzios utilizam-se 16 kawri (búzios) nos quais respondem os 16 Odù principais e os Òrìṣá que falam através deles.
Cabe aos Bábálòrìṣàs e Ìyálòrìṣàs interpretar as caídas e passar as mensagens do jogo. É o instrumento de maior consulta, pois é através dele que se conduzem diversas situações dentro do Ilê. Um oráculo mais simples, contudo sem perder a ligação ou a relação com os Odù e Òrúnmìlà.
O Òpèlè consiste em uma corrente sagrada com oito metades de sementes. O sacerdote lança o Òpèlè, obtendo assim o Odù correspondente para cada caída da corrente.
Para compreender este sistema, o sacerdote precisa saber os ítans-Ifá — as histórias de Ifá que correspondem ao Odù determinante, seus tabus e sua encantação. Cada uma dessas possibilidades é denominada Odù, tendo um total de 256 possibilidades.
Ikin é uma semente muito sagrada e importante símbolo de Ifá, que conecta o ser humano com Òrúnmìlà-Ifá. Consiste em dezesseis nozes de palmeira. Cada fruto possui quatro olhos — o povo Yorùbá acredita que este tipo de noz de palmeira é sagrada para Ifá e por isso não pode ser usada para fabricar o dendê (epó).
Apenas a sacerdotes iniciados no culto de Òrúnmìlá — Itelodù, Oluwo (aquele que detém o segredo), Bàbáláwo (o pai do segredo) e Iyanifá (mãe do segredo) — é concedido o direito de usar o oráculo Ifá Ikin.
"Os oráculos comportam 256 combinações matemáticas que definem os caminhos de Odù — com milhares de itan (mitos) e owe (parábolas). Têm a missão de organizar as relações humanas, ajudar na doença e orientar em todo tipo de assunto."Tradição Yorùbá · Ilé Ègbé Efúnlàşé