"Eu sou aquele que é"
Resignifica a estabilidade da força de realização, que nasce, cresce, reproduz e morre. No sentido mais profundo, ao analisarmos o nome de Olódùmarè, encontramos o significado de "Eu sou aquele que é" — o nome designando o próprio ser, o ser das coisas em sua manifestação plena e em sua relação com o Universo.
O Nome da Santidade Transcendente
Esse nome é único porque contém todo o mistério, e representa toda a plenitude do nosso Universo — e quando é pronunciado, nos leva à eterna busca da perfeição. É o nome da Santidade transcendente, que exprime a presença dinâmica de Deus, todo Poderoso em Sua Criação e a fidelidade de sua assistência aos homens.
Três Pontos Fundamentais
Para entender nossa relação com o Todo-poderoso, devemos lembrar de três pontos fundamentais:
- Todas as coisas neste universo foram criadas por Olódùmarè.
- Olódùmarè é a fonte do "Ser", sem a qual não poderíamos existir, ter vida, ser racionais ou "inteligentes".
- Olódùmarè é conhecido como o determinador e controlador do destino.
"Com exceção do dia que nascemos e o dia que é suposto que iremos morrer, não há um único evento na vida que não possa ser previsto, mudado e necessário. Olódùmarè é a força criativa central."Tradição Oral Yorùbá
A Criação e a Consciência
Para os Yorùbá, Olódùmarè concebeu o Universo em um êxtase de si mesmo. Assim, podemos dizer que a criação tem suas raízes no futuro, pelo qual ele vive e sua perfeição aparece desde a origem. A criação se realiza numa ascensão espiritual progressiva, desde a matéria dita inanimada, até atingir, no homem, a dignidade da consciência.
Existe, para o Yorùbá, por detrás das aparências e do mundo visível, um elemento inteligente, "racional", que regula, dirige, anima o cosmos — e que faz com que esse cosmos não seja caos, mas ordem.
Há, com certeza na origem do Universo, um impulso de pura consciência, que é Olódùmarè.
O Ser Sem Semelhança
Olódùmarè é um espírito infinitamente perfeito, que existe por si mesmo e de que todos os outros seres recebem a existência.
Olódùmarè é o ser sem semelhança. Por isso quando o nomeamos, apenas tangenciamos sua essência.
A existência de Olódùmarè, mais que um pressuposto, é verdade fundamental, ponto de partida para qualquer discurso religioso.
É como se primeiro reconhecêssemos a sua existência, depois procurássemos a ponte capaz de nos levar a ele — capaz de propiciar a religação com nossa origem. Afinal, nas extremidades invisíveis do nosso mundo, abaixo e acima da nossa realidade, paira o espírito. Nosso espírito e esse ser transcendente a quem chamamos Olódùmarè são levados a se encontrar.
Além dos Limites da Razão
No entanto, é natural para todos nós a ideia de que não podemos compreender Olódùmarè. Na medida em que ele é infinito, princípio e fim de todas as coisas, encontra-se além dos limites humanos e de sua compreensão. Podemos, sim, conhecê-lo através de seus atributos e deduzir a sua existência através de suas manifestações no Universo e nas coisas criadas.
Para crermos na existência de Olódùmarè e avançarmos em direção ao seu conhecimento, é necessário que não comecemos por usar os caminhos da razão. Olhamos e vemos; o mundo é um espelho a mostrar permanentemente a sua presença e grandiosidade, infinita e perfeita.
Diante do maravilhoso e fantástico espetáculo da Criação, a razão humana é capaz de caminhar até o conhecimento da existência do Criador. Em seus reflexos espalhados pelo Universo, ela pode adivinhar suas perfeições de poder, de beleza e de bondade, manifestos em cada ser e em cada elemento.
"No Culto Yorùbá podemos afirmar que Olódùmarè é único no céu e na terra, o Supremo sobre todos nós — e o chamamos referindo-nos particularmente às suas características de 'Senhor de todas as coisas', 'o Soberano que está no Òrun', 'Aquele que tem a máxima autoridade sobre tudo'."
Òlófin, Olorún e Olódùmarè
Olódùmarè pode ser conhecido por muitos nomes — afinal, muitas são as suas particulares manifestações nos diversos momentos e planos da criação, e assim, muitas vezes, ele é chamado de Òlófin ou Olorún.
Olódùmarè é na religião Yorùbá o Deus Único, Supremo, Onipotente e Criador de tudo o que existe.
Olódùmarè é nossa máxima representação espiritual no universo — ele é o Arquiteto Universal da nossa existência nos mundos paralelos de Òrun e Àiyé.
O Cosmos Dividido — Bem e Mal
Os Yorùbá acreditam em um Deus supremo, Olódùmarè, que criou ambas as forças — "boas" e "más" — e as lançou no universo; ele deu Àṣẹ (poder) para ambos os lados.
Os Òrìşá
Os poderes benevolentes são os Òrìşá e as associações úteis deles com o ser humano.
Ikú, Arun, Òfò, Èpè
Os poderes malevolentes são as energias destrutivas: Ikú (morte), Arun (doença), Òfò (perda), Èpè (maldição). Não há coexistência calma — eles sempre estão em conflito.
"Não há escuridão que se propague se temos conosco a fé na luz de Olódùmarè."
"Eu não tenho nada além daquilo que todas as pessoas têm, a única diferença entre mim e os demais é que eu acredito na presença de Olódùmarè em minha vida e sempre o coloco à frente de minhas atitudes!"
Por: Obá Apetu, Oluwo Efun Áwo Pèjú Ifárunola Adesanya Willer Almeida