Segundo o Itan do Odù Ìròsùn Ìwòrì
Num antigo período da história da humanidade, esta vivia em total anarquia, promovendo sucessivos incidentes de roubos, assassinatos e violações de toda ordem de abuso aos códigos éticos ditados pelos ancestrais. Alguns habitantes pediram a interferência de Òrúnmìlà, para que colocasse ordem naquela situação alarmante.
Òrúnmìlà ordenou que se realizassem sacrifícios e aqueles que cumpriram as instruções de Ifá prosperaram em segurança. Depois disso, Òrúnmìlà retirou-se aos céus, entregando a Òrìsá Èdán a responsabilidade sobre a Terra.
Òrìsá Èdán firmou um pacto e aqueles que juraram mantê-lo puderam viver em paz, harmonia, justiça e prosperidade. Após longo tempo de permanência na Terra, Òrìsá Èdán retornou aos céus, delegando a um grupo de pessoas responsáveis a tarefa de supervisionar e fazer cumprir as leis estabelecidas. Este grupo se uniu em fraternidade, tornando-se conhecidos como Ògbóni.
Ainda hoje, Ògbóni mantém ritual iniciático baseado num pacto que estabelece e faz cumprir o seu elevado código ético, zelando pela justiça, verdade, lealdade e proteção.
A Terra como Fonte da Vida
A justiça de Ògbóni é firmada com a própria Terra — Onílẹ̀ — que detém a prioridade em todos os ritos. Dela sai o sustento de todos os seres que nela habitam, dela saiu o barro primordial com que Obàtálá modelou o ser humano. Dela viemos, nela nascemos e recebemos a oportunidade da vida, dela somos alimentados e a ela retornaremos, por ocasião da morte.
O Itan de Olódùmarè e os Reinos da Natureza
Que Olódùmarè concedeu cada reino da natureza a um Òrìsá. Assim, sempre que um ser humano expressasse alguma necessidade relacionada a um dos reinos, deveria pagar uma prenda em forma de sacrifício ao Òrìsá correspondente. Restou o próprio planeta Terra, que foi concedido a Onílẹ̀.
O seu tributo seria a própria vida, pois nela repousam os corpos e restos de tudo o que já não vive. Onílẹ̀ deveria ser propiciada sempre, para que o mundo continuasse a existir, gerando continuamente nova vida e assegurando a continuidade do planeta.
Com o objetivo de promover a harmonia com a natureza, Ògbóni venera Onílẹ̀ — o senhor da Terra — como fonte da vida. Considerando que os demais Òrìsá chegaram e manifestaram na Terra numa fase subsequente à sua formação, Ògbóni vincula-se, primordialmente, a Òrìsá Èdán.
Daí resulta que todo aquele que transgredir o pacto estabelecido pela Lei de Ògbóni deverá, incondicionalmente, prestar contas a Òrìsá Èdán — a própria Terra.
O Chefe do Culto de Ògbóni
O chefe do culto de Ògbóni é um iniciado que atinge o grau de Oluwo (pai do segredo) e é portador do shaki — uma estola que o distingue como detentor de honra e respeito.
"Dela viemos, nela nascemos e recebemos a oportunidade da vida, dela somos alimentados e a ela retornaremos, por ocasião da morte — Onílẹ̀, a própria Terra."Tradição Ògbóni · Ilé Ègbé Efúnlàşé